Lawyer to Lawyer, da Freelaw

#53: Disputas societárias e a advocacia no mundo pós COVID-19 - c/ Guilherme Capuruço e Bernardo Freitas

June 03, 2020 Freelaw Season 2 Episode 33
Lawyer to Lawyer, da Freelaw
#53: Disputas societárias e a advocacia no mundo pós COVID-19 - c/ Guilherme Capuruço e Bernardo Freitas
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#53: Disputas societárias e a advocacia no mundo pós COVID-19 - c/ Guilherme Capuruço e Bernardo Freitas
Jun 03, 2020 Season 2 Episode 33
Freelaw

Como é a rotina da advocacia societária?

Quais disputam geralmente surgem?

Como era o cenário antes da COVID-19? Como é o cenário após? Quais as oportunidades e desafios?

Como é a prática da advocacia societária? Quais são os assuntos que mais aparecem?

No episódio de hoje do #lawyertolawyer, Gabriel Magalhães entrevista Guilherme Capuruço e Bernardo Freitas, sócio do Freitas Ferraz Capuruço Braichi Riccio Advogados.

Guilherme Capuruço

▪ Especialista em Arbitragem pelo IBMEC
 ▪ Pós-graduado em Direito Civil pela PUC/MG
 ▪ Graduado em Direito pela UFMG

Bernardo Freitas

▪ MBA em Finanças pelo IBMEC 
▪ Graduado em Direito pela UFMG

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Música utilizada no Podcast: www.bensound.com

Show Notes Transcript

Como é a rotina da advocacia societária?

Quais disputam geralmente surgem?

Como era o cenário antes da COVID-19? Como é o cenário após? Quais as oportunidades e desafios?

Como é a prática da advocacia societária? Quais são os assuntos que mais aparecem?

No episódio de hoje do #lawyertolawyer, Gabriel Magalhães entrevista Guilherme Capuruço e Bernardo Freitas, sócio do Freitas Ferraz Capuruço Braichi Riccio Advogados.

Guilherme Capuruço

▪ Especialista em Arbitragem pelo IBMEC
 ▪ Pós-graduado em Direito Civil pela PUC/MG
 ▪ Graduado em Direito pela UFMG

Bernardo Freitas

▪ MBA em Finanças pelo IBMEC 
▪ Graduado em Direito pela UFMG

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Gabriel:

Você está ouvindo o lawyer to lawyer. As melhores práticas de gestão, inovação e tecnologia no Direito. Meu nome é Gabriel Magalhães. Bem-vindo ao lawyer to lawyer. Esse podcast é oferecido pela Freelaw, a forma mais segura para que seu escritório de advocacia contrate advogados online e sob demanda. E eu sei que talvez você nunca pensou nessa possibilidade, mas agora você pode realizar parcerias com advogados especializados em qualquer área do direito, de acordo com a sua necessidade. É só entrar no site www.freelaw.work e enviar a descrição do serviço que precisa ser executado, as orientações, o prazo. E aí só aguardar a mágica acontecer e você visualizar as propostas dos profissionais. Faça parte agora da nossa comunidade e aumente o portfólio de serviços jurídicos que seu escritório oferece aos seus clientes.

Olá advogado, olá advogada. Seja bem-vindo, seja bem-vinda ao episódio cinquenta e três do lawyer to lawyer. Sou Gabriel Magalhães, é um prazer estar aqui com vocês novamente. Hoje nós vamos falar sobre disputas societárias e advocacia num mundo pós COVID-19. Esse é o primeiro episódio que vamos ter o prazer de ter dois convidados ao mesmo tempo. Vou ter o prazer de falar com o Guilherme Capuruço e com o Bernardo Freitas do Freitas & Ferraz advogados. E o que mais de chama atenção do escritório deles é o sucesso repentino. Aliás, muitas pessoas falam que é repentino mas tenho certeza que vocês vão me corrigir aqui, porque é uma longa carreira que eles tiveram. O escritório fundado em dois mil e dezesseis que hoje é uma das maiores referências em Belo Horizonte e no Brasil no que se trata de disputa societária.

O Guilherme é especialista em arbitragem pela IBMEC, pós graduado em Direito Civil pela PUC-MINAS e também é graduado em Direito pela UFMG. E o Bernardo tem MBA em Finanças pela IBMEC e é graduado em Direito pela UFMG. Como é a rotina da advocacia societária? Quais disputas geralmente surgem? Como está agora com a COVID? Como era antes? O que mudou? Qual é o cenário depois? Quais são as oportunidades e desafios agora desse novo mundo? E como é a prática mesmo da advocacia societária? É um ambiente bem específico. E eu tenho certeza que vocês vão gostar bastante. Sejam bem-vindos ao episódio de hoje. Espero que vocês estejam bastante animados e eu tenho certeza que todos os colegas advogados vão gostar bastante do episódio de hoje.

Guilherme:

Bom gente, vou começar pelo termo disputas societárias. Representa para mim uma adequação muito grande na pergunta em relação à expressão disputas que normalmente ela vem ligada a processo. E a questão da disputa societária em si, na maioria das vezes é anterior ao próprio processo, e muitas vezes ela se encerra antes mesmo do processo começar. É um conflito dentro da sociedade, ele ocorre quando há um choque de interesse das entidades, dos órgãos empresariais. A gente está falando dos sócios, dos administradores, dos conselheiros. Enfim, toda disputa que há dentro da sociedade se refere à uma disputa societária.

Bernardo:

E complementando aí, Gabriel. Primeiro queria agradecer o convite, é um prazer muito grande estar aqui nesse podcast que tem tratado de assuntos muito relevantes. E ser convidado por você, pra gente foi uma honra e uma satisfação muito grande. Mas complementando aqui o que o Capuruço está dizendo, a gente brinca que sociedade é pior do que casamento. Isso é uma frase muito conhecida por aí. E de fato é. Porque casamento pelo menos é com uma pessoa só, em regra. E sociedade envolve pelo menos duas pessoas, mas geralmente até mais do que duas pessoas, três, quatro, cinco, seis, em muitos casos centenas, e em companhias abertas até milhares de sócios. Então o potencial de conflito, o potencial de divergência de ideias, de brigas e de inconsistência na relação entre sócios é muito grande. A gente vê isso todos os dias. E nós temos vários tipos de disputas societárias. Apesar do termo parecer poder ser explicado de uma maneira muito simples. No sentido de como o Capuruço deixou bem claro: é uma briga que envolve o sócio, que envolve a administração da companhia. A gente tem vários tipos de disputas societárias. 

Então por exemplo, um ambiente que é muito comum ter esse tipo de contencioso são empresas familiares. Por que isso acontece? Porque geralmente a gente um patriarca, uma matriarca que fundaram aquela empresa, desenvolveram, fizeram aquela empresa crescer, essa empresa se desenvolve ao longo de muitos anos. E a medida que as novas  gerações vão entrando dentro daquela empresa, seja como administradores, como empregados ou até mesmo como acionistas o potencial de conflito entre as diferentes gerações e os diferentes graus de parentesco aumenta. É natural que por exemplo, dois irmãos tenham uma tendência de brigar menor do que primos, e menor ainda do que primos distantes. Então quanto mais gerações vão entrando dentro daquela empresa maior é o potencial de conflito. Isso é um ambiente muito comum para a disputa societária.

Mas não é o único. A gente tem, por exemplo, as companhias abertas que também tem um potencial grande de conflito societário. Todo mês a gente tem uma notícia diferente no Valor, ou em outros jornais e publicações, na Revista Capital Aberto, por exemplo, que são duas ótimas fontes de acompanhar esse tipo de litígio quando são públicos. Revista Capital aberto e Jornal Valor Econômico para aquele leitor que queira acompanhar um pouco mais esse tipo de demanda. Todo mês a gente vê algum conflito novo sendo divulgado no que diz à companhia aberta. Nesse caso, tende a ser um pouco mais diferente. Porque a gente tem de um lado aquele acionista controlador que está no dia a dia da companhia, que direciona os negócios da companhia. E de outro lado a gente tem os investidores, aquelas pessoas que compram ações no mercado e que muitas vezes têm interesses opostos aos controladores.

Nós estamos gravando aqui esse episódio em Maio de dois mil e vinte, gravando até à distância por conta desse cenário que nós temos hoje. Mas há uma ou duas semanas atrás foi muito divulgado um conflito que ainda não chegou a ser judicializado, não chegou a se tornar uma arbitragem, mas que é o início de um conflito, que é como esses conflitos costumam começar, a gente vai falar um pouco mais disso. Que é a questão da Eneva e da AES Tietê, duas empresas de energia que é um típico conflito de companhia aberta. Interesses opostos entre o controlador e acionistas com um perfil mais de investidores. Então a gente tem aí uma amplitude muito grande nesse tipo de demanda e características muito próprias. Que obviamente precisam ser entendidas pelo advogado que vai atuar numa demanda como essa.

Guilherme:

E a questão da amplitude e da riqueza, e disputas societárias, ela realmente tem uma casuística bem grande. A gente está falando de exercício de administração, prestação de contas de administrador, destituição de administrador, intervenção sobre a sociedade, que é quando o juiz nomeia o administrador para a sociedade, o juiz ou o árbitro. É divergência entre os sócios numa reunião ou assembleia, ai vai abrir para você fazer uma impugnação de uma deliberação. Analisar corpos legais de contratos sociais, acordos de acionistas, enfim, tem uma infinidade de questões a serem analisadas. Saída de sócio, por exemplo, exclusão por cometimento de uma falta grave ou mesmo a pessoa que quer, da noite para o dia, se desligar da sociedade. E ai está na constituição que ninguém é obrigado a se associar ou se manter associado, então existem mecanismos ai do sócio se desligar da sociedade. Responsabilidade do sócio ou do administrador por atos ou omissões que eles pratiquem no exercício da atividade, que pode gerar dano para sociedade e um eventual pleito em indenização em favor da sociedade. Então realmente o cenário, a casuística é muito grande em matéria de disputa societária.

Gabriel:

E assim, como vocês estão? De um dia para noite decretaram isolamento social, algumas cidades já com o lockdown. Qual foi o impacto disso nos clientes de vocês? Como vocês estão vendo isso? A gente teve um episódio aqui no lawyer to lawyer que a gente falou especificamente sobre os impactos que o COVID gera na advocacia. E nesse episódio a gente discutiu com o Gustavo, que é lá do Rio Grande do Sul. Ele trouxe uma frase bem marcante, falando que o Direito é anticíclico, a advocacia muitas vezes é anticíclica. Geralmente nessa época que a gente tem grandes fatos, a gente tem mais problemas. Eu imagino que mais disputas societárias talvez. Como está o trabalho de vocês agora, nesse período? O que vocês estão fazendo de diferente? E o que mudou no escritório de vocês? Vocês estão trabalhando de casa agora. Quais estão sendo os desafios agora?

Bernardo:

Gabriel, por incrível que pareça, essa frase tem razão. Principalmente no âmbito do Direito Societário, ela é muito interessante. Porque a rigor, quando tudo está indo bem você tende a ter um tipo de trabalho mais intenso né? Ninguém está dizendo que quando a economia está indo bem não tem disputa societária, obviamente não é isso. Mas é que como as coisas estão indo bem, as pessoas se preocupem mais em fazer uma operação de fusões e aquisições, fazer novos investimentos. Estar tendo um fluxo de receitas que gera lucro e esse lucro é distribuído para os acionistas, então a tensão é menor e por via de consequência a intensidade dos conflitos acaba sendo menor. Quando a gente tem crises econômicas como tivemos em dois e oito, dois mil e dezesseis etc. Obviamente, quando os recursos são escassos a tensão aumenta, e o potencial de conflitos societários também aumenta. Isso de fato é verdade, acontece. A gente vivencia isso ao longo de todo esse longo tempo que a gente vem trabalhando com Direito Societário e com disputas societárias. Especificamente nesse caso da COVID, como eu acho que é uma situação que, em primeiro lugar é totalmente nova para todo mundo.

Ninguém nunca vivenciou isso, uma paralisação global, que gera efeitos tanto do ponto de vista sanitário como também do econômico. Acabou gerando acho que até uma paralisação de todo mundo assim, até conflitos que já estavam em andamento arrefeceram. Porque, em primeiro lugar, desde o final de Março até agora, as próprias pessoas não sabiam por quanto tempo as medidas de restrição ao contato social perdurariam então, você acaba ficando “vamos esperar um pouco mais para tomar essa medida, porque estamos num ambiente que não é o mais recomendável, que o judiciário está com expediente suspenso”. Então assim, essa incerteza ao longo desses, pouco mais de dois meses que estamos diante desses efeitos da pandemia, aqui no Brasil, com mais intensidade. Eu acho que eles foram um pouco mais de espera, até arrefeceram um pouco. E os próprios players que poderiam empurrar esses conflitos societários, estão segurando um pouco a rédea por dois motivos. Primeiro pelas dificuldades de se litigar, você não consegue ajuizar uma ação e ir lá fórum despachar com o juiz a liminar, que é algo muito comum nessa prática de disputas societárias. Só essa dificuldade por si só já é um desincentivo. Ora, ao invés de eu ajuizar a medida agora, deixa eu ver se o judiciário volta daqui a duas semanas, aí eu ajuízo daqui a duas semanas para poder ir lá fazer esse despacho. Então isso já é algo que cria um desincentivo para as demandas se intensificarem ou até iniciarem nesse momento.

E uma outra questão é o fato de que está todo mundo solidário com relação a esses problemas que estamos vivendo. Então eu acho que por mais que disputas estejam ocorrendo, estejam continuando, as medidas estão sendo um pouco mais brandas. Pelo menos nesse período de incertezas, de quanto tempo isso vai durar. Tendo em vista essas dificuldades e essa solidarização entre todos. O que não significa dizer que as demandas que já estavam em andamento pararam. Por exemplo, os tribunais arbitrais, praticamente todos estão funcionando de forma eletrônica. Então as arbitragens que já existiam estão andando normalmente. E estão com os prazos correndo normalmente, com todas as medidas sendo tomadas normalmente.

Guilherme:

E é interessante, só complementando um pouquinho o que o Bernardo está falando. É que nesse clima de tensão, decisões continuam sendo tomadas, riscos são assumidos, interesses são analisados. Isso, ao mesmo tempo que pode gerar um sentimento de definição para frente, pode tornar também alguma situação mais iminente. E aí os interesses se contrapondo podem surgir novos conflitos ou catalisa-los. Por outro lado também, pensando um pouco na história. A gente já viu alguns eventos em que crises externas, ameaças externas, elas provocam uma reunião interna. Isso nas nações, nos grupos menores etc. Então isso pode acontecer também, de sociedades que tenham algum conflito, diante de uma situação de COVID, se veem na necessidade de fortalecer as estruturas internas e talvez até se apaziguem. Como o Bernardo disse, deixem para tomar alguma decisão quando o judiciário estiver com um funcionamento normal, e a partir daí haja alguma relação que amenize os conflitos.

Gabriel:

E assim, até pegando um pouco desse novo ambiente de mais solidariedade. Pelo menos eu tento acreditar nisso, e de fato algumas pessoas estão sendo mais solidárias, algumas nem tanto. Como vocês organizam a equipe de vocês entre contencioso, entre consultivo, entre negociar ou não? Como vocês definem esse tipo de estratégia considerando tanto um contexto macroeconômico, quanto a peculiaridade de cada caso concreto de vocês? Entrando um pouquinho na divisão da equipe de vocês, como é a divisão do trabalho entre os advogados? Falando um pouco de gestão também.

Guilherme:

Bom, no nosso funcionamento, a começar por como a gente está, a gente já completou um pouco mais de dois meses de trabalho em casa, em home office. Se a gente puder voltar ai na criação do escritório, a gente tinha uma preocupação muito grande de criar plataformas que qualquer advogado pudesse trabalhar de qualquer lugar do mundo. Então por exemplo, aqui no escritório a gente não tem um arquivo físico, a gente têm alguns armários que estão em sua maioria vazios. E a gente tem uma preocupação muito grande em organizar bem o ambiente virtual de forma que não impossibilitasse o trabalho de ninguém. Obviamente não pensando ai talvez como o Bill Gates de que isso iria acontecer, mas de uma forma que tornasse a relação entre a gente mais um pouco eficiente sob o ponto de vista de estrutura física. E tem funcionado bem né Bernardo? Nesses dois meses a gente implantou algumas rotinas internas das próprias áreas e do escritório como um todo. Para manter tanto a conexão, a chama acesa, quanto para não impossibilitar o trabalho de uma forma eficaz para todo mundo. Em relação à divisão interna, bom Bernardo, vou deixar você falar um pouquinho de como a gente trabalha, de como a gente está estruturado em equipe e depois a gente volta na situação do caso concentro de um cliente na eminência de um conflito como esse.

Bernardo:

Esse é um ponto que é muito interessante, Gabriel. Porque isso talvez seja um dos grandes diferenciais que a gente vê no nosso escritório e na nossa equipe, no que diz respeito a trabalhar com esse tipo de demanda. É uma demanda como eu disse, muito específica, é um contencioso que envolve diversas partes, tem uma legislação própria, que são as leis societárias, o Código Civil abarca alguma parte, a lei das sociedades anônimas etc. Qual é o grande diferencial que eu estou querendo dizer? A gente tem uma formação, eu Bernardo Freitas e o meu sócio Adriano Ferraz, a gente tem uma formação de muitos anos na área de Direito Societário. O Adriano, lá nos idos de dois mil e cinco foi fundador do grupo de estudos de direito empresarial da UFMG, que tinha como propósito - e tem até hoje, o grupo está fazendo quinze anos esse ano – sempre teve como propósito estudar principalmente Direito Societário. Eu conheci o Adriano no âmbito desse grupo de estudos lá na UFMG, me tornei coordenador dele posteriormente, desde então a gente vem trabalhando juntos. Trabalhamos juntos em vários escritórios, até o Freitas Ferraz há praticamente quatro anos atrás.

Gabriel:

Ou seja, não foi do dia para a noite né? Teve toda a carreira ali antes.

Bernardo:

Eu ia dizer exatamente isso quando você falou a frase do sucesso da noite para o dia! Só fazendo um parênteses nesse assunto, a gente tem aqui no escritório uma parede com um tanto de frase que a gente acha que inspiram a filosofia do escritório. Tem frase do Bill Gates, tem frase do Mestre Yoda, tem frase do Capitão Nascimento, tem frase do Albert Einsten, então tem de tudo, desde pessoas reais a pessoas não reais. E uma delas diz o seguinte, vou traduzir, ela está em inglês na nossa parede porque no original ela é em inglês, mas tem uma delas que diz o seguinte: “A maioria dos sucessos da noite para o dia tomou um longo tempo para acontecer.”. Então assim, aquela ideia de que o sucesso pode vir rápido, vem rápido, isso não existe. Ele só vem com trabalho muito duro, muito pesado, muita dedicação. E com o tempo né, porque a experiência também é muito importante.

Gabriel:

Desculpa te interromper. Assim, o que eu acho muito interessante e que até destaquei lá no início é que vocês foram fundados lá em dois mil e dezesseis somente. É claro que cada um tinha suas respectivas carreiras, todo o nome profissional, bagagem profissional e tudo isso fortalece muito, facilita bastante. Mas se você até tivesse que dar uma dica para algum escritório de advocacia que está ali nesse início e não sabe como captar cliente. Se vocês puderem compartilhar um pouco como foi esse início de vocês, acho que pode contribuir bastante com os nossos ouvintes também.

Bernardo:

Claro! Não, sem dúvida, isso é um ponto importante, vou tentar separar aqui. E essa questão do sucesso, ainda estamos longe disso. A gente tem certeza de que temos muito caminho a percorrer ainda. Mas de fato foi uma construção de muito tempo. Então essa relação minha com o Adriano na área de Direito Societário intensificou muito isso. Então a gente tem uma equipe aqui no escritório muito forte, de Direito Societário, que atua também em demandas não relacionadas com disputas, reestruturação societária, planejamento sucessório e assim por diante. Mas o fato dessa equipe atuar muito próximo com a equipe de contencioso, que é a equipe coordenada pelo Guilherme Capuruço, ela gera um ganho para o cliente. Porque de um lado a gente tem uma equipe de contencioso muito experiente, muito disposta e muito competente, trabalhando com uma equipe de societário, coordenada por mim e pelo Adriano, que também é muito competente, que já está junto há muitos anos, até mais anos do que o escritório existe, muitas pessoas da nossa equipe já estavam com a gente antes do escritório ser fundado. Então assim, a junção dessas duas áreas trabalhando muito próximo, quase que como se fosse uma equipe única. Ela ajuda muito o desenvolvimento desses trabalhos, e até em situações como essas que temos de trabalho à distância. Esse entrosamento e essa liberdade que as equipes têm umas com as outras, ela ajuda muito tá?

Antes de eu falar da fundação do escritório e dicas para escritórios novos. Eu vou deixar só o Capuruço, parece que ele quer complementar aqui algum ponto nisso, ai eu respondo o que você falou, Gabriel.

Guilherme:

Eu queria só enfatizar essa questão do trabalho em conjunto, que ao nosso ver ela é realmente fundamental para o sucesso de uma disputa societária. É muito comum a gente ver em bancas tradicionais uma segregação entre áreas. Sócios diferentes que não se unem e espelham isso para a equipe abaixo. E aí a pergunta é o seguinte, quando existe, como a disputa societária é um processo que necessita de conhecimentos específicos de duas áreas, como é que faz? Como é que fica? As pessoas não estão acostumadas a trabalhar entre si, um não conhece o dia a dia do outro, quem vai gerenciar? Quem vai liderar? Como divide essa bola? E aqui no Freitas Ferraz, a gente tem isso muito consolidado porque já vem desde lá de trás. De valores nossos, de críticas que a gente acha que um bom trabalho tem que ser conduzido sob o viés do cliente, e não do sócio, não da área. Mas como que o escritório como um todo ele consegue entregar o máximo que ele tem para determinada disputa. E olha só, esse é ocomentário que eu queria fazer complementação do que o Bernardo fez.

Bernardo:

É, e ai pegando o ponto que você estava comentando, Gabriel, sobre a questão da carreira. E até da questão do escritório, de quem está começando etc. Uma outra filosofia que eu e Adriano, principalmente lá atrás, a gente conversava muito, e eu tenho certeza que isso vale também para o Capuruço e para os outros sócios nossos. E ai até por isso que apesar de a gente ter trabalho junto antes por muito tempo em outros escritórios, em outros locais, viemos a montar o escritório “somente” há quatro anos atrás é porque nós sempre tivemos a mentalidade de que você ter um mentor ou mentores, pessoas que te ajudem no teu desenvolvimento é muito importante. 

Então naturalmente, o ponto em que nós chegamos, tudo que nós sabemos hoje, nós devemos não apenas à nossa dedicação, a tudo que nós corremos atrás, à nossa vontade, mas também pela convivência que tivemos com pessoas que foram nossos superiores em outras bancas. Isso é muito importante. Isso ajuda a gente a aprender, a evoluir muito. Aprender com os acertos e com a grande qualidade dessas pessoas e também com os erros. Então isso foi muito útil para a gente. E ai o que eu quero dizer com isso é, independentemente de você estar dentro de um escritório ou de você criar um escritório ainda jovem ou algo do tipo. O primeiro ponto é, busque ter um mentor, busque ter alguém um pouco mais experiente que você, alguém que você admire, alguém que você sabe que é competente. Busque a ajuda dessa pessoa, tente interagir com ela periodicamente. Aprender um pouco com a experiência dela, pedir opiniões. Acho que no mundo da advocacia a gente tem a possibilidade de ter um coleguismo, uma ajuda. Buscar que pessoas que estejam um pouco mais à frente na carreira possam te ajudar é muito importante. Isso é um diferencial gigantesco.

Do ponto de vista da questão de captação de cliente, que você perguntou Gabriel. No que diz respeito à disputas societárias, eu diria que mais do que algumas outras áreas do Direito é muito difícil você conseguir fazer um trabalho muito de marketing. A gente sabe que o marketing na advocacia é bastante limitado, apesar de hoje no contexto atual a gente ter redes sociais, a gente já ter vários mecanismos de fazer isso. Na questão de disputas societárias isso fica um pouco mais complicado, porque quando você está advogando numa grande demanda societária, você não vai sair divulgando isso por aí. Você não vai falar: olha, estou na briga tal. Porque você não quer expor os seus clientes. E eu diria que noventa por cento, pelo menos, das demandas societárias de disputa, elas correm em sigilo. Elas são confidencias até por preservação da própria empresa que está ali envolvida. Então não tem muito sentido você ficar divulgando isso demais. Então qual é a forma mais saudável, e a forma que a gente adota, que pelo menos a gente acredita de divulgação desse tipo de trabalho, de captação de clientes nesse tipo de demanda?

A primeira delas: tentar expor para o mercado que nós temos esse conhecimento e essa experiência. E isso acontece como? Desde participando aqui do seu podcast, que é um veículo amplamente divulgado no meio jurídico, em redes sociais, linkedin, em sites de artigos etc. Ou seja, passando um pouco do nosso conhecimento para o público para ser visto como uma referência nesse assunto. E a outro forma, que é também muito boa, que tem um potencial muito grande, é fazendo parcerias. Então tem muito escritório de advocacia que não tem essa área dentro, não tem essa expertise dentro, mas que inevitavelmente vai chegar um trabalho de contencioso societário para ele um dia. E nós advogados temos que ser humildes em entender que a gente nunca vai conseguir saber tudo e fazer tudo muito bem. Então tem vários tipos de demanda que chegam aqui no escritório que a gente fala: gente isso não é a nossa competência, vamos passar para quem sabe. E ai nós passamos para parceiros que nós sabemos que sabem daquele assunto muito mais do que nós. E isso acontece muito na via oposta. Escritórios que têm grandes empresas, que têm grandes clientes, que não trabalham com Direito Societário, com disputa societária, mas que quando aparece algo nesse sentido nos veem como uma referencia e traz a gente para ajuda-lo naquela demanda. Então buscar parcerias desse tipo também é muito saudável para a captação desse tipo de trabalho, tá Gabriel?

Guilherme:

Só complementando aqui o que o Bernardo está falando. O marketing realmente tem que ser bem indireto, não se oferece ao sócio, ao administrador de uma empresa, uma oportunidade de brigar com o sócio dele. O assunto é delicadíssimo e não tem espaço para oportunismo, para criação de uma disputa, para a plantação de um litígio. O que eu costumo dizer para o pessoal é que quando você faz, por exemplo, uma negociação bem feita, ou qualquer outra operação semelhante, é natural até que a contraparte reconheça o seu bom trabalho, a sua boa contribuição para que o negócio ocorra. Não necessariamente num ambiente de oposição, mas para construir um bom negócio para os dois lados. E até venha a te contratar no futuro. Isso em disputas, principalmente societário, é simplesmente impossível de acontecer. Você ganha praticamente um inimigo, dada a intensidade, a dinâmica, a oposição entre interesses. Então realmente é o que o Bernardo disse, você tem que criar outras formas. Tanto de associação, de divulgação, de conteúdo, para que você seja lembrado e possa trabalhar, ou dentro dos próprios clientes ou com alguns colegas que já atuem para empresas mas que não tenha esse conhecimento ou a própria estrutura para cuidar de uma disputa como essa.

Gabriel:

Eu acho muito interessante na fala de vocês, é perceber o tanto que vocês conhecem muito bem o mercado que vocês estão atuando, e conhecem muito bem os seus clientes. Porque a partir do momento que a gente conhece o cliente, a gente começa a perceber assim: opa! Quem está atendendo o meu potencial cliente hoje é uma banca de advocacia que não tem a especialidade que eu tenho. Talvez um inimigo se torne um grande aliado. Muitos escritórios ficam ali um pouco perdidos nisso. Eu acho que a partir do momento que a gente descobre melhor quem é o nosso cliente, quem são os nossos concorrentes, a gente vai descobrir possíveis oportunidades e da mesma forma possíveis ameaças. Eu também percebo muito que vocês além de prestarem o serviço jurídico, além de fazerem o básico e fazerem muito bem feito o que precisa ser feito, vocês estão ali buscando produzir conteúdo na internet. Então, eu vejo sempre webnars de vocês, as redes sociais muito bem movimentadas, inclusive é o escritório que talvez produz mais conteúdo que eu acompanho atualmente. Eu acho que isso é legal. E isso é o marketing que está muito em voga e vários escritórios de advocacia ficam falando por ai que não tem cliente. Mas poxa, quanto tempo que você gastou ali para produzir conteúdo? Quanto tempo você gastou para compartilhar os seus conhecimentos? Quanto tempo você gastou para buscar parceiros? Eu acho que poucas pessoas fazem isso. E por fim, a última questão que eu destaco, eu tive a oportunidade de visitar o escritório antes da COVID, e eu vi a parede. O que marca a cultura bem forte desde o início. E com uma cultura bem forte, com os valores pregados na parede, mais do que pregados na parede, sendo vivenciados por todo mundo. Aí a distribuição de tarefas entre a equipe fica melhor, o ambiente fica mais saudável e os clientes ficam satisfeitos e a equipe também. Acho que pode ser um pouco dos segredos. Não sei se vocês concordam, mas é a minha visão aqui de fora. Para a gente fechar, eu queria concluir aqui. Queria saber se vocês têm algum conselho final para os colegas advogados que estão escutando. Se vocês estão utilizando alguma ferramenta específica, algum livro, vocês falaram de mentores, se queriam fazer alguma referência para quem está nos escutando.

Bernardo:

Deixa só eu comentar dois pontos que você coloco, Gabriel. Primeiro eu queria só fazer uma ressalva aqui quando a gente fala inimigo, de forma alguma é inimigo no sentido de ser alguém que a gente desgoste etc. A gente coloca como o ex adversus né. É uma palavra um pouco mais elegante para se referir ao outro lado. E ai quando você tem um embate nessas disputas societárias isso acaba colocando interesses opostos. Mas a gente tem vários casos de escritórios que a gente já teve como ex adversus e depois a gente atuou em conjunto em demandas. A gente tem hoje uma disputa societária que a gente atua em conjunto com um escritório que numa disputa anterior ele estava do outro lado. Então isso é extremamente comum, você tem que ter o profissionalismo de entender que cada advogado está cumprindo o seu papel ali dentro daquela demanda.

Guilherme:

Só um parênteses, Bernardo. Às vezes até facilita né? A gente tem exemplos aqui de pessoas que já são nossos ex adversus com mais frequência, facilita bastante a comunicação. Sentar à mesa e discutir, resolver o problema do cliente.

Bernardo:

E sobre esse ponto das redes sociais, só para fechar, Gabriel. É interessante assim, isso passa muito dessa cultura nossa de tentar mostrar ao máximo. São duas coisas na verdade, de um lado é tentar para o mercado ao máximo os nossos conhecimentos, a nossa qualidade, a nossa experiência. E se hoje a gente tem os mecanismos das redes sociais, da internet para fazer isso, por que não fazer? É um ganha-ganha. De um lado, nós conseguimos divulgar isso, que é algo que temos internamente, essa competência, essa experiência. E do outro, expõe para o mercado isso, no sentindo de obviamente, quando alguém tiver uma demanda nesse sentido nos procurar para poder ajuda-lo. E isso internamente é resultante de uma política educacional muito forte que a gente tem aqui no escritório de sempre dar cursos. Os sócios daqui do escritório dão aulas para equipe periodicamente sobre temas diversos. Já dei um ano aula semanal sobre MNE, agora estou dando sobre acordo de acionistas. Então a gente tem isso interno muito forte e naturalmente. Invés de deixar isso restrito internamente a gente tenta jogar isso para fora do escritório porque traz uma série de benefícios, não só para a gente, mas também para as pessoas que se relacionam, que estão ali acompanhando o dia a dia, a vida do Freitas Ferraz. Você estava perguntando sobre questão de livros né?  

Gabriel:

Bernardo, só uma última questão. É que nessa sua última fala você começou a falar um pouco de gestão também né. Vocês já sabiam isso? Como vocês aprenderam? E talvez dando até uma dica de livros e possíveis mentores. Como vocês criaram uma gestão profissional e moderna assim, nos dias de hoje? Porque a maior parte dos escritórios de advocacia é aquele top-down clássico, que só o sócio tem voz, o advogado ali da base não tem. Como é que foi esse processo de construção também?

Bernardo:

É, isso na verdade é aquilo que eu disse, a gente teve que ao longo dos anos aprender. Não só as qualidades, mas também os erros que a gente foi vendo ao longo do caminho. Isso passa um pouco até por uma questão de humildade né. A gente tem que ser humilde para entender que um escritório de advocacia é composto por pessoas de várias gerações. E não vai ser só a opinião da geração daquelas pessoas mais sênior que vai conseguir trazer o sucesso para o escritório. Isso é um ponto que a gente tenta trazer muito, de envolver, às vezes até empurrando com muita força a equipe para que ela se envolva realmente, em questões não só jurídicas de execução de trabalho, mas também em questões administrativas. Esse é um ponto que a gente tem muito forte aqui, Gabriel. E ai nesse sentido, a ideia é cada vez mais o sócio sair da gestão de dia a dia, colocar isso na mão de quem está ali no dia a dia. Então envolver a equipe jurídica também nesses temas relacionados com RH, administração organizacional, eficiência, tecnologia, inovação, gestão.

E um passo muito importante que a gente deu no final do ano passado, que foi a contratação do Hebert, que é o chefe da nossa parte administrativa, para assumir todos os projetos administrativos e de gestão que a gente tem no escritório, delegando, coordenando os vários comitês que a gente tem. Os vários projetos de gestão que a gente acaba criando aqui dentro também, muito resultante das ideias que a gente buscar ter não só no ambiente dos sócios, mas também muito no ambiente dos advogados. Muita coisa boa vem da cabeça da equipe. Porque é quem está ali no dia a dia, às vezes é quem conhece uma tecnologia nova. Então isso é muito importante, e óbvio, isso vem não só daquilo que a gente aprendeu com a nossa experiência. Mas vem, por exemplo, de algumas leituras. Vou dar um exemplo aqui de um livro muito legal, eu já li, os outros sócios aqui já leram, a gente até comprou uns quatro ou cinco exemplares e colocamos aqui para a galera ler. Que é um livro que se chama “Mais rápido e melhor”. Ele não tem nada a ver com questão jurídica, ele é totalmente questão de gestão, de como implementar determinadas práticas dentro de uma organização para criar incentivos e criar eficiências lá dentro, questões motivacionais, questões de RH. Então tem muita coisa interessante nesse livro. É um autor super competente que é o Charles Duhigg, o livro mais famoso dele é aquele “O poder do hábito”. É um livro muito interessante para essa área e que traz ideias que a gente implementa aqui no escritório no dia a dia.

Gabriel:

Legal, esse livro está na minha estante ali atrás. Eu gosto bastante dele.

Bernardo:

Você já conhece! Outra coisa legal também que eu posso comentar, também relacionado com o livro. Também foi um passo muito interessante que a gente deu ano passado nessa área de gestão. E que ele tem nos ajudado a entender até qual é a melhor forma de executar os trabalhos etc. A gente contratou o Mário Esequiel, ele foi CEO de um grande escritório, eu diria que um dos principais escritórios do país, durante muitos anos, se eu não me engano quase vinte anos, um pouco menos, acho que dezessete ou dezoito anos. Ele se chama Mário Esequiel, ele saiu do escritório e criou um consultoria que se chama Bórea, é um cara super competente e que ajudou a gente demais a desenvolver o nosso planejamento estratégico, a gente olhar para dentro, a gente conseguir entender as nossas áreas de competência, as nossas forças, as nossas fraquezas, como que a gente tem que focar nisso. E tem nos ajudado a desenvolver mais internamente como executar os trabalhos e como gerenciar tudo que a gente tem aqui dentro de uma forma mais eficiente. Ele também tem um livro, eu não vou lembrar o nome dele aqui agora, mas ele também tem um livro. E ai esse sim, é focado para gestão de escritório de advocacia, é um livro pequenininho mas que vale muito a pena ler também.

Guilherme:

Eu lembro bastante desse livro, eu e o Bernardo, a gente se debruçou bastante nele principalmente no início, na criação do escritório. Ele se chama gestão eficiente de escritórios de advocacia. Pegando o exemplo do que o Mario fez em um grande escritório, a gente adotou como máxima de gestão. Estudou bastante o livro dele, tem algumas aplicações de ordem prática, algumas dinâmicas, índices bem interessantes, vários deles a gente aplica até hoje, nas nossas apresentações. Principalmente para quem está começando, para ter uma ideia dos conhecimentos, da expertise que precisa ter para criar um escritório, para desenvolver um escritório, com uma gestão moderna e inovadora é com certeza ai um ponto de partida que vale bem a leitura.

Gabriel:

Escutando vocês eu estou vendo duas pessoas muito técnicas aqui na minha frente, mas ao mesmo tempo minha opinião é que só isso não basta né. Vocês estão mostrando que tem muito mais do que isso. E o que eu vejo é ou um extremo ou outro. Principalmente âmbito de disputas, de valor maior, geralmente a gente tem grandes juristas mas poucas pessoas que têm essa pegada forte de gestão. Quando a gente tem os dois juntos, a gente consegue entregar serviços melhores para os nossos clientes. Porque além de ser muito bom ali no Direito, a gente também consegue criar uma experiência diferenciada, prestar serviços de uma forma diferente, se comunicar de uma forma melhor e ai realmente se destacar no mercado. Muito obrigado viu, pessoal. Vocês têm algum último recado, uma dica final, algum comentário final?

Bernardo:

Só o último comentário que eu queria fazer, Gabriel. É que na verdade assim, a gente tem muitas ideias, mas ainda estamos muito longe de chegar onde a gente quer chegar e onde a gente acha que é o ideal. Tem muita coisa que dá para fazer no mercado jurídico, na maior eficiência, na maior profissionalização da prática jurídica. E é isso que a gente tem como um dos principais objetivos. A gente ainda está muito no início, como a gente disse, quatro anos na vida de uma empresa não é nada. É o bebê engatinhando ainda, é como a gente se sente, como um bebê engatinhando. Porque tem muito projeto, a gente tem muita ideia que quer desenvolver ainda. E ai é legal porque iniciativas até como a sua, de ter um podcast voltado para advocacia, para a área jurídica e de escritórios, ele contribui muito até para a gente. A gente também acaba aprendendo bastante coisas e tentando aprimorar as nossas ideias com isso que você vem criando ai. Então é bem legal. Parabéns pela iniciativa. Também nos ajuda bastante. E de novo, obrigada pelo convite. Sempre um prazer poder participar.

Guilherme:

Obrigado, Gabriel pela oportunidade de poder contribuir com um pouco da nossa experiência. Como conselho, e para a conclusão final eu queria falar que o Freitas Ferraz, é uma frase que a gente costuma dizer bastante aqui, que ele é um escritório que não tem dono. Desde o marco zero, desde as nossas conversas iniciais, a gente não queria criar um escritório de um sócio eterno, de um sócio que tratasse aquilo ali como se fosse uma coisa dele. Não, pelo contrário, a gente é bastante transparente, a gente é aberto. Como o Bernardo bem disse, a gente até empurra o pessoal para participar cada vez mais, estar atento à gestão, à inovação, tecnologia. E a gente quer que essas pessoas se desenvolvam, desenvolvam enquanto escritório, se desenvolvam pessoalmente. Então é o conceito que a gente acredita e que toda vez a gente procura deixar essa chama acesa para a gente se desenvolver cada vez mais.

Gabriel:

Muito obrigado, Guilherme! Obrigado, Bernardo. Agradeço também a todo pessoal do Freitas Ferraz, todos os colegas ouvintes que estão aqui até o momento. Eu acho que se você está aqui até agora, eu acredito de verdade que você está comprometido com um novo modelo de escritório de advocacia. Por favor, não continue com o top-down, vamos mudar esse modelo de gestão, vamos profissionalizar os escritórios. Acho que a gente pode mais na advocacia, e com isso a gente tem clientes mais felizes, equipes mais felizes, pessoas menos doentes, na advocacia é muito difícil, ambiente de muito stress. A gente está lidando com problema, a gente falou hoje talvez de um dos ambientes mais estressantes de todos, disputas societárias, olha a pressão, olha o tamanho da disputa envolvida. Se a gente ainda tem uma má gestão, fica um ambiente ainda mais difícil. Acho que fica um convite para todo mundo, buscar as duas formas. Se você quiser ler a transcrição desse episódio, acesse o blog da Freelaw, o link está aqui. O episodio está transcrito lá e todas as referências, os livros citados você consegue encontrar na descrição do episódio. A gente se vê novamente na próxima semana para mais um lawyer to lawyer da freelaw. Agradeço a todos pela audiência. Obrigado!